Instagram acessível às pessoas com deficiência visual

Pode parecer impossível pra quem não entende muito de acessibilidade na web, mas, sim, o Instagram está investindo em recursos para deixar a plataforma acessível às pessoas com deficiência visual. Foi o que anunciou a rede na semana passada: “um instagram mais acessível“.

As pessoas cegas ou com baixa visão utilizam leitores que lêem o que aparecem nas telas, seja do computador ou dos dispositivos móveis. Quando há imagens, o processo fica restrito à disponibilidade do autor colocar sua descrição. Aqui no blog mesmo, há algum tempo eu procuro descrever todas as imagens que utilizo nas publicações. Para o leitor comum, essa descrição não é notada. Para quem utiliza os recursos de acessibilidade, pode fazer muita diferença.

É possível que a inteligência artificial avance o suficiente para que essa descrição seja automática, por enquanto é preciso estar atento à inclusão de um novo público dos seus materiais na internet e também à forma correta de fazê-lo.

Instagram mais acessível

Bom, o processo de publicação se mantem o mesmo. Você faz o upload normal da sua foto e insere as informações como legenda, localização e marcação de pessoas. Ao final desta mesma tela está a opção “configurações avançadas”. Ao clicar, você será direcionado para outra tela onde terá entre as opções a  “texto alternativo”. É neste campo que você irá colocar a descrição da imagem.

Sobre a parte técnica, não há mistério nenhum. É um caminho até intuitivo. Porém há um outro universo quando pensamos na descrição de imagem. Afinal como fazer isso? O processo parece difícil porque nós estamos visualizando e tudo naquela imagem nos parece muito óbvio. Mas acredito, não é. Sugiro exercitar a descrição de imagens com poucos elementos primeiro e depois partir para as mais complexas.

Existem procedimentos e até cursos para a descrição de imagens. Algo que me ajuda muito é o modelo utilizado na criação do Visual Museum Tour.

Como descrever uma imagem*

  1. Ser objetivo: descrever o aspecto físico da imagem sem utilizar de emoções subjetivas. O que é lindo para você pode não ser para o outro.
  2. Ser breve: a descrição deve ser concisa, sem informações redundantes e óbvias. Entre 250 e 300 palavras;
  3. Ser descritivo: utilizar de vocabulário amplo, relatando a disposição dos elementos, suas formas geométricas, tamanho, nitidez, claridade ou escuridão;
  4. Ser lógico: deve fazer sentido. Uma descrição solta de elementos não ajuda a formar a imagem para o cego;
  5. Ser rigoroso: a descrição deve ser correta, mas acessível ao público em geral. É ideal evitar a utilização de termologias técnicas;
  6. Diversidade: nem sempre a leitura será feita na ordem correta, ao enumerar itens utilize os números por extenso. Ao descrever vestimenta de personagens, por exemplo, utilize sinônimos para minimizar a monotonia.

Certamente, o treino nos fará melhores na descrição de imagem. Quanto mais a gente descrever, mais nos aperfeiçoaremos, ainda mais se pudermos contar com o feedback de quem utiliza leitores de tela. Há ainda outro fator que pode te incentivar a trabalhar cada vez mais a descrição de imagens: imagens descritas têm potencial maior de serem bem colocadas em resultados de busca. Ou seja, faz bem pra quem precisa de descrição, faz bem pra você, faz bem pra todo mundo.

Esse passo a passo é um modelo, existem outros manuais. Este que descrevi é baseado no apresentado pelo artigo “PROCEDIMENTOS PARA DESCRIÇÃO DE FIGURAS EM TEXTO IMPRESSO VISANDO A ACESSIBILIDADE PARA PESSOAS CEGAS: UM ESTUDO A PARTIR DE UM LIVRO DE EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA”.

Jéssica Macedo

Jornalista, especialista em brigadeiro de panela e mídias sociais. WordPress Fan.

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