Papéis institucionais quando o cidadão compartilha notícia falsa

Sendo a internet uma importante e, por que não dizer?, a mais utilizada fonte de informação nos dias de hoje, cabe refletir sobre o quanto somos responsáveis pelo que produzimos e compartilhamos no ciberespaço. O raciocínio pode ir mais além. Qual é o papel dos provedores de conteúdo e instituições (governamentais ou não) na propagação de notícias falsas?

Mecanismos de checagem

Recentemente, após anos de muita boataria espalhada na internet, Google e Facebook resolveram desenvolver ferramentas para auxiliar a checagem da veracidade de notícias. As empresas fizeram isso porque são benevolentes e querem o melhor na rede? Não necessariamente. Esta súbita decisão de verificar a existência de notícias falsas pode estar diretamente relacionada ao vários processos judiciais no Brasil e no mundo podem ser colocados como motivadores. Isso, porque, estas plataformas compartilham, sim, a responsabilidade por aquilo que é transmitido.

It's a fake news story? - denunciar notícias falsas para o facebook

Instituições públicas e as notícias falsas

Já o papel das instituições, especialmente aquelas do setor público, é o de fortalecimento da consciência coletiva quanto a informações reais e também sobre como buscá-las. Isto é, fornecer ao consumidor de conteúdo dados e informações reais e de qualidade, além de apontar caminhos para obtê-los.

É válido lembrar o quão presente o brasileiro está na internet. Segundo a 11ª edição da pesquisa TIC Domicílios, que mede a relação do brasileiro com as tecnologias de informação e comunicação, 58% da população brasileira usam a internet. Este percentual cresce um pouco a cada ano. Entre 2014 e 2015 o acréscimo proporcional foi de 5%.

Os motivos da alta disseminação de notícias falsas

Pensar nesta presença digital é importante porque mostra o quão experiente o brasileiro é com a internet. Não é muito, se pensarmos pela ótica de “tempo de serviço”, digamos assim. Uma boa mostra disso é o resultado de uma pesquisa da Quartz. Segundo a pesquisa 55% dos brasileiros acham que o Facebook é a internet. Não é prudente esperar deste público um uso completamente responsável e equilibrado. É um mundo novo, cheio de armadilhas e pouca orientação. Um prato cheio para ser facilmente convencido por notícias falsas.

Vivemos em um tempo onde nem mesmo os jornalistas, teoricamente educados para isso, checam as informações antes de divulgá-las. Não dá para esperar muito mais do usuário comum de internet. Barrigadas (jargão jornalístico para notícia falsa ou errada) são constantes no nosso dia-a-dia. Mesmo os mais jovens, nascidos já na era digital, não são (geralmente) instruídos adequadamente sobre o uso das novas tecnologias e o trato das informações provenientes delas.

Dias melhores

Isto tende a mudar. Cultura digital é realidade e trará a solidificação de noções mínimas e essenciais para viver neste meio. Até lá, e para auxiliar neste processo, toda ação para desta consciência coletiva e individual é válida. Desmentir notícias falsas é um caminho. Mas dar as ferramentas do conhecimento às pessoas para que possam discernir melhor neste emaranhado de informações é ainda melhor.

Jéssica Macedo

Jornalista, especialista em brigadeiro de panela e mídias sociais. WordPress Fan.

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