Vícios Invisíveis

Não é difícil perceber que os nossos vícios mudaram. O fumo, a bebida, os jogos de azar ainda estão entre nós, nos afastando daquilo que realmente importa em nossas vidas, porém, com a inundação tecnológica que se iniciou na década de 80, nossos antigos vícios foram substituídos por outros tão ou mais nocivos.

O vício mais fácil de perceber e o que é mais anunciado é a necessidade exagerada de uma tela na nossa frente. Televisão, computador, vídeo game, celular, tablet, estamos quase que o tempo inteiro olhando para essas telas. Difícil olharmos para o que acontece em volta. Por óbvio que hoje o seu dia de trabalho acontece no computador, o seu lazer normalmente é em frente a tv. Mas e o resto do tempo?

Outro dia fui almoçar com uma amiga e propositalmente não levei o celular. A certa altura ela foi ao banheiro e eu fiquei ali na mesa, sozinha, observando as pessoas. Todo mundo que estava sozinho, invariavelmente, olhava para o celular. Então, se ficamos 8 horas do nosso dia em frente ao computador por necessidade de trabalho, não seria saudável dar um tempo da conexão na hora do almoço?

Em 2015 o Hospital das Clínicas de São Paulo divulgou um levantamento de atendimentos a dependentes em tecnologia: 10% dos internautas brasileiros passam mais de 12 horas conectados e apresentam sintomas como tremedeiras, suor excessivo, taquicardia quando não estão conectados. A definição de dependência tecnológica não é somente o tempo que se passa conectado, mas principalmente a perda de controle sobre o espaço da tecnologia no nosso comportamento.

Talvez o problema seja outro vício: o de nunca estar sozinho. Nossos smartphones são o novo cigarro: uma companhia para os momentos em que estamos sós. A tv e o videogame são nossas novas bebidas alcoólicas: usados em momentos de diversão. O mundo digital virou obrigação e a interação com os amigos virtuais abranda nossa solidão. Mas parece que as pessoas estão perdendo a habilidade de serem sós, condição inerente de nós humanos.

O fotógrafo francês Antoine Geiger fez uma série de imagens que ilustram nosso vício em não viver o mundo real. Nomeada de Sur-fake, as fotografias trazem um efeito para mostrar que a conexão excessiva com os aparelhos nos desconecta do que está ao nosso redor e de nós mesmos. Olhar para imagens como estas abaixo é perturbador.

 

 

 

Neste fim de ano, deixo aqui uma proposta ousada, talvez meio sem sentido para você que é viciado em digital: que tal olhar para um lugar diferente? Que tal olhar para dentro de você?

vicio-celular

Para refletir mais sobre o assunto:

Sur-fake: http://antoinegeiger.com/#

Blackmirror (série disponível na Netflix)

Documentário Inn Saei (disponível na Netflix)

Documentário Free The Mind (disponível na Netflix)

Matéria sobre vício em tecnologia: http://glo.bo/1HJsPGl

 

 

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