O marketing do marketing – como os profissionais de comunicação estão reinventando a roda

Acabo de voltar da Social Media Week São Paulo e estava bastante animada para escrever sobre as palestras que assisti e o quanto aprendi por lá trocando experiência com outros profissionais da área. Infelizmente, troca de experiência foi o que menos aconteceu no evento, e o aprendizado mais impactante que eu tive foi o quanto os profissionais de comunicação se tornaram, ao mesmo tempo, vítimas e algozes de um mercado saturado.

Lá fui eu para a minha primeira (de muitas) palestras em um dos eventos mais conceituados de mídias sociais do mercado. Logo de cara já tive uma grande decepção assistindo a palestra do criador da página Universo Racionalista. O rapaz basicamente estava lá para dizer o que é ciência e como o ceticismo pode melhorar a sua vida pessoal. Não me entendam mal, sou fã da página, adoro as publicações deles, mas eu estava lá para discutir mídias sociais. Eu gostaria, talvez, de tê-lo ouvido falar sobre técnicas para produzir conteúdos que levassem nossos clientes a refletir melhor ou algo do gênero.

Enfim, depois fui assistir a outra palestra chamada Inbound Marketing com bastante curiosidade. Eu queria muito aprender o que era esse termo e como ele se aplicava nas redes sociais. É com pesar, colegas, que digo que inbound marketing, content marketing, os 7 Cs do marketing digital, personas, lead e tantos outros termos que ouvi durante essa semana são apenas outras palavras para refletir uma adaptação, ou as vezes nem isso, a um conceito que nós já conhecíamos. Uma espécie de revisão da roda.

Me parece que o mercado de profissionais de comunicação, ciente da demanda de estarmos todos sempre atualizados porque trabalhamos com tecnologia e precisamos usar ferramentas novas a cada dia, aplica em nós mesmos aquela velha técnica do marketing de criar uma necessidade que a gente nem sabia que tínhamos por meio da “atualização” constante de novos conceitos de comunicação. E o pior: somos nós mesmos que fazemos isso para os nossos colegas. Vítimas e algozes.marketing-eficiente-851

Honestamente, não consigo olhar para todos esses conceitos novos que “aprendi” e pensar que são realmente novos. Todos são basicamente uma adaptação de um conceito de marketing ou publicidade antigos para o ambiente digital ou para um tipo diferente de serviço. Outras vezes, o novo termo significa o termo antigo mais algumas coisas.

Uma das palestrantes sobre planejamento, porém, me surpreendeu com a sensatez de dizer que realizava seus planejamentos usando os 4Ps, o SWOT e a análise de micro e macro ambiente. 4Ps, 4Cs, 7Cs, no fim das contas o que conta é você parar para fazer uma boa análise do que você está vendendo, seja um produto, um serviço, uma experiência. Tenho certeza que a maioria dos profissionais de comunicação não faz um planejamento decente porque ficam perdidos entre tantos conceitos e termos que acabam não sabendo por onde começar.

Algo que ficou muito claro para mim essa semana foi: o mercado está saturado a tal ponto que os profissionais precisam, também, atuar em outras frentes como a atividade de professor, palestrante, escritor de livros, produtor de eventos de comunicação. Não que essas coisas não devam existir. Acho todas essas atividades válidas e penso que elas devem ser desempenhadas por profissionais da área, mas profissionais bem sucedidos, com conteúdo relevante para passar pra frente.

Também quero deixar claro que eu sou a favor das adaptações de conceitos, dos ajuntamentos, dos novos conceitos, eu apenas acho que não precisamos vender a desatualização completa para que essas adaptações possam entrar em cena.

 

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