Cobrança e socialização digital

Já é até cliché falar o quanto nossas vidas foram impactadas com a popularização da internet e seus seus canais de comunicação. Especialmente as denominadas redes sociais. Mais do que transformar sua rede social física em digital, a comunicação web amplia este círculo de forma tão grandiosa a ponto de não termos certeza sobre exatamente ao quê ela impacta.

Quando menos percebemos, estamos completamente conectados. Uma necessidade louca de expor ideias e ver do que dali surge. Isso vai desde contar algo do cotidiano, quanto dissertar sobre o nosso cenário político. Não sem estratégia, as empresas por trás de grandes plataformas de socialização digital disponibilizam diversos recursos para se avaliar o resultado de cada vírgula que publicamos na internet.

Isso mexe com a nossa carência, com o nosso prestígio. É quase inconsciente, mas é real: quando publicamos algo (principalmente textões) esperamos obter audiência com aquilo. É muita inocência (ou orgulho velado) dizer que não se importa com os números de likes, comentários, compartilhamentos, retweets… No mínimo, se quer a atenção de pessoas específicas. Um like, ao menos, de alguém especial.

Isso nos move para estar ali, naqueles espaços onde muito se fala, mas pouco se entende. Move a tal ponto de nos sugar preciosas horas do nosso dia. Não que isto seja necessariamente ruim. Há muita coisa boa para se absorver nestes espaços. Várias ideias começam no digital e se tornam real. Campanhas, parcerias, negócios e, principalmente, amizades. É fantástico, realmente.

A questão é o quanto nos cobram por estar imersos nisso tudo. Não sei se todo mundo se sente assim, mas eu detesto que me cobrem atenção por relações estritamente virtuais. Eu trabalho com mídias sociais, logo estou sempre conectadas, porém, nem sempre disposta a me relacionar. Nem todo mundo entende isso. Se relacionar com pessoas na internet tem a ver com o interesse entre estas pessoas, mas também o bem-estar que isso causa. Para mim, mídias sociais é trabalho, mas antes de mais nada é lazer.

Há bem pouco tempo, me sentia na obrigação de responder instantaneamente a todos que me contatassem virtualmente. “Ora, se estou online, por que não?”. Mas percebi que além do cansaço, estava perdendo momentos importantes da vida real. Passei então a responder se for oportuno, se eu estiver a fim, se for algo do meu interesse. Diminui drasticamente as publicações em redes como snapchat, Twitter e, principalmente, Facebook. Esta última por ter um número maior de pessoas que nos requerem atenção exclusiva, direta e rápida. “Você postou um textão, e agora não pode nem me dar um bom dia?”. Não, não posso. Não, não quero.  Não, não estou afim.

Já leram “O Círculo”, de Dave Eggers? É uma excelente síntese do que nos espera no futuro das relações totalmente digital. Os números de audiência não se limita ao interesse de empresas, mas de pessoas comuns em busca de uma vida social relevante. E é deprimente isto. Ao menos, não quero para mim.

Mas, como mídias sociais para mim é também trabalho, embarco hoje para São Paulo. Pois, além de ser meu aniversário (pa-ra-béns) é também o primeiro dia da Social Media Week. E, contraditoriamente, falarei muito nos meus perfis sociais esta semana. 🙂

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

© 2018 Jornalista Digital | ScrollMe by AccessPress Themes