Perder o foco pode ser muito bom

Eu sempre tive certo fascínio pelas artes plásticas. Quando estudava no ensino médio, a disciplina História da Arte entrou para o currículo escolar e os meus dias de matemática, química e física ganharam cores e luzes uma vez por semana. Fazer a análise das obras e saber dos movimentos artísticos era algo que me interessava mais do que qualquer outra coisa naquele período.

Foi somente dez anos depois que eu já havia terminado os estudos no colégio que tive a oportunidade de estar em um dos maiores e mais famosos museus do mundo: o Louvre. Com uma média de 9 a 10 milhões de visitas por ano, o museu abriga, entre suas obras mais conhecidas, a Mona Lisa, a Vênus de Milo e a Vitória da Samotrácia.

Talvez para os leigos, a Vitória da Samotrácia seja a obra menos reconhecida. A escultura, também conhecida como Nice de Samotrácia, representa a deusa grega Nice (em grego, Nike – ou vitória) cujos pedaços foram descobertos em 1863  nas ruínas do Santuário dos grandes deuses de Samotrácia.  Para fazermos um paralelo com a publicidade, a marca esportiva Nike tem seu nome inspirado justamente na deusa grega Vitória e seu logotipo é uma representação da asa na estátua da dessa deusa.

mona lisa no louvre
A Mona Lisa no Louvre

Uma coisa que sempre me impressionou muito no Louvre foi a Mona Lisa. Não pela obra em si, mas pela quadro que fica bem em frente a ela. Para quem nunca viu, a Mona Lisa é um quadro de dimensões modestas: 77cmx53cm, e fica pendurado em uma parede enorme sozinho e muito, muito protegido. Não é possível chegar muito perto e tem proteção de vidro, fazendo que as fotos com flash tenham reflexo. Além do um enorme número de indivíduos ávidos por chegar o mais perto possível de um Leonardo Da Vinci.

Os turistas normalmente estão concentrados em fazerem a peregrinação pelas “obras que eles não podem perder”: entram na sala, tiram foto do quadro e saem em busca da próxima foto. Em frente à Mona Lisa está simplesmente o maior quadro do Louvre. Com 660 cm x 990 cm, “As Bodas de Canaã” retrata um casamento no qual Jesus teria feito um de seus primeiros milagres: a transformação de água em vinho. A obra é belíssima, cheia de detalhes e ofuscada pela fama mundial da Mona Lisa.

as bodas canaa louvre
As bodas de Canaã no Louvre

Eis que essa semana eu tive contato com o trabalho genial de Oliver Curtis, um fotógrafo que fez uma exposição chamada Volte-face. Curtis foi a alguns dos pontos turísticos mais famosos do mundo e apontou sua câmera exatamente para o lado oposto. Para o meu deleite, ele tem uma foto da obra As Bodas de Canaã.

O trabalho é muito bacana, e me fez refletir que na maior parte do tempo estamos tão focados em realizar uma tarefa específica que acabamos perdendo o que acontece a nossa volta. E isso tem muito a ver com criatividade, ou a falta de criatividade dos nossos tempos. Nossas soluções já estão tão prontas, tão trilhadas, que temos dificuldade em sair do lugar comum. Tudo está ficando muito repetitivo, mais do mesmo. Até vir Oliver Curtis e nos dar esse sopro de inventividade e imaginação.

Seguem algumas das fotos da exposição de Oliver Curtis:

World Trade Center
World Trade Center
Coliseu
Coliseu
Casa Branca
Casa Branca
Mona Lisa
Mona Lisa

 

Quer ver mais de Oliver Curtis?

Vai lá: http://www.olivercurtisphotography.co.uk/

 

 

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