Não desce da bicicleta!!!

Um texto sobre o que a resiliência pode nos trazer de bom.
Hoje eu não vou falar do mundo da publicidade nem do jornalismo. Hoje eu quero falar com você, ser humano que vive no século XXI, era moderna, da informação rápida, do mundo líquido de Zygmunt Bauman  em que nada é feito para durar. Eu queria falar para você não desistir.

Quem nunca teve vontade de desistir de alguma coisa? Sair correndo, abrir mão de pequenas conquistas simplesmente porque estamos passando por um momento ruim? Eu já desisti inúmeras vezes de diversas coisas. E penso que essa vontade que temos é reflexo da pós-modernidade desconstruída em que vivemos.

Explico: estamos vivendo em tempos de mudança de paradigmas. O que na época da minha mãe funcionava bem de um jeito, hoje já não tem a mesma eficácia. A maneira de nos relacionarmos está mudando, o jeito com que lidamos com o consumo também se transformou absurdamente. A nossa inserção no mundo globalizado da internet fez com que vários conceitos, valores, ideias se modificassem. E de acordo com os filósofos contemporâneos ainda não há uma definição precisa de para qual caminho estamos indo.

Quando comecei a escrever para o blog, perguntei à Jéssica se eu precisava falar somente sobre comunicação. Diante da negativa dela, me sinto então à vontade para compartilhar com vocês o ocorrido no último domingo.

Eu havia decidido há algumas semanas iniciar um novo esporte: mountain bike. Desnecessário informar a vocês que eu já desisti de alguns esportes ao longo da vida, né? Mas decidi por pedalar ao ar livre por gostar da ideia de ter contato com a natureza e também pela emoção que eu imaginava que as pessoas sentiam nas descidas.

Depois de alguns finais de semana treinando, fui fazer uma trilha organizada por um grupo de pessoas que já pedalam há algum tempo. Eu estava muito animada mas acho que não estava considerando uma parte importante da jornada: a subida.

Para o meu desespero, a trilha era apenas descida no início e três longos quilômetros de subida ininterrupta no final.  Lembro que bem no início da subida falei pra minha colega: “não vou conseguir”. Ela me deu força, mas na minha cabeça, eu tinha certeza que eu não daria conta.

biketorredigital
Eu no canto esquerdo da foto, no final da subida

 

Conforme fui subindo observei várias pessoas descendo da bicicleta e empurrando. Todas eram mulheres. De início minha vontade de não desistir veio daí: não queria ser mais uma mulher que “não aguenta fazer as mesmas coisas que os homens”. Toda vez que a vontade de descer da bike crescia eu passava por mais uma pessoa empurrando a bicicleta subida acima.

Minha perna doía, o sol rachando no céu, o cansaço tomava conta de mim, o coração disparado, a respiração ofegante. E aí, no auge da subida, outros ciclistas passavam por mim e me davam força: “Vai”, “não desiste”, “pedala”! Foi quando alguma coisa mudou: eu não queria mais desistir porque eu simplesmente fui tomada por uma vontade imensa de… não desistir. Eu havia decidido que só naquela trilha eu não ia desistir. Só naquele domingo, só naquela manhã.

E foi com esse pensamento que eu cheguei até o final da subida sem descer da bicicleta.

 

Domingo passado eu descobri que tenho garra. E isso não tem nada a ver com força nas pernas, condicionamento físico ou qualquer outro atributo corporal. Isso tem a ver com a nossa cabeça mesmo. Óbviamente que se eu pensar em todas as trilhas que quero fazer e o quanto ainda vou ter que me esforçar para terminá-las, desisto agora. Mas se a gente usar a lógica dos Alcoólicos Anônimos e pensar que só naquela situaçciclista_desenhoão vamos até o fim, aí fica mais fácil colocarmos nosso verdadeiro empenho.

Aqui vai, então, um pequeno desafio de uma pessoa que experimenta esse nosso mundo com boas doses de pequenas desistências: não desiste não! Escolha uma coisa apenas que apresente dificuldade para você e vá até o final com aquilo. Só uma vez. Pode ser uma coisa pequena, e ela pode parecer sem importância, mas quando você chegar ao final vai perceber o quanto é importante sermos resilientes e insistirmos em um objetivo.

Depois que você fizer isso, vai achar a sua garra e será natural querer aplicá-la em outras situações da sua vida. Pode ser que seja uma experiência transformadora.

Para saber mais sobre o mundo líquido de Zygmunt Bauman: http://glo.bo/297LMbm

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